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A taxa de mortalidade por COVID-19 nas pessoas com mais de 80 anos é 5 vezes superior à média global.

Fonte: Publicações ONU 01.05.2020

O isolamento social é um risco de saúde pública da nossa sociedade. Estima-se que em 2030 Portugal seja o 3º País mais envelhecido do Mundo.

Existem mais de 30.000 idosos (com mais de 65+) a viverem sozinhos e a sua maioria numa situação de significativo isolamento na cidade de Lisboa. Em 2026, Lisboa terá 100 mil habitantes com idade superior a 75 anos, quase o dobro do que em 2001. Fonte: Santa Casa da Misericórdia, Projecto Radar , 17.10.2019

O IMPACTO DA COVID-19 NOS IDOSOS

A pandemia da COVID-19 está a causar medo e sofrimento para os idosos em todo o mundo. A 26 de abril, o vírus já tirou a vida de cerca de 193.710 pessoas e apresenta uma taxa de mortalidade 5 vezes superior em pessoas com mais de 80 anos. À medida que o vírus se espalha rapidamente por todo o mundo, e sobrecarrega sistemas de saúde e de proteção social, a taxa de mortalidade das pessoas idosas poderá ainda aumentar. Policy Brief: The Impact of COVID-19 on older persons, May 2020.

IMPACTO ECONÓMICO
A pandemia pode significar uma diminuição da reforma dos idosos e do seu estilo de vida. Já que, menos de 20% dos idosos reformados recebe uma pensão.
VIDA E MORTE
As taxas de mortalidade são 5 vezes maiores do que a média global. Cerca de 66% das pessoas com 70 anos ou mais têm pelo menos uma condição de saúde subjacente.
SAÚDE MENTAL
O distanciamento físico tem impacto na nossa saúde mental. Viver sozinho e ser menos digitalmente incluído aumenta o risco nos idosos.
VULNERABILIDADE
Os cuidados essenciais nos quais os idosos confiam estão sob pressão. Quase metade das mortes de COVID-19 na Europa ocorreram em instituições de longa permanência.
NA LINHA DA FRENTE
Os idosos não são apenas vítimas. Muitos estão a trabalhar na linha da frente como profissionais de saúde, prestadores de cuidados e prestadores de serviços essenciais.
NEGLIGÊNCIA E ABUSOS
Em 2017, 1 em cada 6 idosos era vítima de abuso. Com isolamento obrigatório e cuidados reduzidos, a violência contra idosos pessoas está em ascensão.

A RESPOSTA AO PROBLEMA

Medidas de combate ao isolamento e solidão dos idosos durante a pandemia da COVID-19. 

Em conjunto com a Câmara Municipal de Cascais e a Junta de Freguesia Cascais e Estoril, implementámos a entrega de bens essenciais, compras, refeições rápidas e medicamentos a todos os idosos com + de 65 anos residentes no Concelho de Cascais. Com o apoio de mais de 40 voluntários, várias organizações privadas e a Pedalar Sem Idade, o Município de Cascais, criou várias Respostas Sociais de Proximidade activas, entre as quais, apoio diário a centenas de idosos que se encontram isolados e sós nas suas casas.

Para combater o isolamento e solidão nos mais idosos, iremos implementar, em conjunto com o Centro Social e Paroquial do Campo Grande, um programa chamado “Conversas à Janela”. Vamos conduzir o nosso trishaw, com um piloto voluntário, até casa dos utentes do Centro de Dia na companhia de uma animadora sócio-cultural para conversar, durante 10 a 15 minutos, para perceber quais as suas preocupações actuais e tentar transmitir alguma esperança. Este programa tem como objectivo reduzir a solidão e isolamento nos mais idosos, que ficaram privados de ir ao Centro de Dia e encontram-se confinados ao interior das suas casas, muitas vezes, sós, e sem outra companhia.

O SEGREDO PARA UMA VIDA MAIS LONGA ESTÁ NA NOSSA VIDA SOCIAL

Com base em dezenas de estudos psicológicos e sociológicos, Susan Pinker sugere que viver em contato permanente com os outros e proximidade física é a chave para a saúde. 

A base para ser saudável e viver até mais tarde está na importância que damos às relações pessoais e às interações cara-a-cara. Saiba mais sobre a superlongevidade pelas palavras de Susan Pinker, que explica o que é preciso para viver até aos 100 anos, ou mais, neste vídeo.

ENTREVISTA COM SUSAN PINKER

Numa conversa com a Pedalar Sem Idade Lisboa, a psicóloga, autora do Livro “The Village Effect” e colunista do The Wall Street Journal falou sobre a problemática da solidão e do isolamento social  

PSI: De acordo com a sua experiência, o que podemos tentar fazer, todos os dias, para reduzir os efeitos do isolamento junto dos idosos e pessoas com mobilidade reduzida? Soluções simples que podemos aplicar junto dos nossos vizinhos seniores, avós ou pais.

(SP): Tudo o que referi anteriormente mas gostaria acrescentar que um simples telefonema para uma pessoa idosa, sozinha em casa, pode ajudar muito. A riqueza da voz, algo que lhes é familiar, tornam-no especialmente importante como uma forma de aproximação ao idoso. Vivo no Canadá, e este Verão tem sido ideal para conviver com os idosos ao ar livre, em pátios, em parques, e até em cafés, desde que respeitada a distância de segurança de dois metros e o uso de máscaras. Esta Primavera, gostei de encontrar-me com minha mãe de 86 anos no terraço do seu prédio e de levá-la a ver os patos e gansos recém-nascidos no Canal Lachine em Montreal – atividades que não serão mais possíveis quando começar a nevar, pois acaba por dificultar os encontros ao ar livre. Também gostei de conversar com meus vizinhos idosos, aproveitei para ficar a par das novidades e certificar-me de que eles teriam tudo o que precisavam. Estas simples atividades – um telefonema, um encontro na rua, o contacto regular por vídeo-chamada ou pessoalmente, sempre que possível, irão reforçar os aspectos essenciais do contacto social – mesmo durante uma pandemia.

Pedalar Sem Idade (PSI): Quais considera que são os efeitos do isolamento e da solidão numa pessoa, a longo-prazo, e em que esses efeitos podem contribuir para uma morte prematura?

Susan Pinker (SP): Como animais sociais, os humanos precisam de contacto social para sobreviver e prosperar; evoluímos olhar nos olhos uns dos outros, para sentir a proximidade com as outras pessoas, para tocar e ser tocados, para sentir se a confiança mútua é possível e para sentir um sentimento de pertença. Sem esses sinais sensoriais, sem a companhia de amigos, de um parceiro romântico ou membros da família, a nossa imunidade à infecção decai, os nossos níveis de cortisol – um indicador biológico de stress – aumentam, a pressão arterial também aumenta e nossa resiliência aos desafios cardiovasculares é derrubada. Noutras outras palavras, o contacto social é tão necessário para a sobrevivência humana quanto comer, beber e dormir. Sem ele, ficamos mais vulneráveis ​​aos efeitos prejudiciais da depressão crônica e de um sistema imunológico deprimido.

PSI: Quais serão os impactos que esta situação pandémica da COVID-19, e sucessivos confinamentos obrigatórios em todo o mundo, terão na vida, saúde mental e competências sociais das pessoas idosas e/ou com mobilidade reduzida?

(SP) É difícil prever o futuro, mas até agora o isolamento obrigatório tem sido muito difícil para os idosos e para as suas famílias. Aqui no Canadá, agora que escolas e creches foram abertas, os avós não podem abraçar e ser abraçados pelos seus filhos; não podem pegar ao colo e abraçar os seus netos, nem ler ou brincar com os mais pequeninos. Tudo isto acaba por privá-los de contacto físico com a sua família, de momentos muito importantes no seu desenvolvimento,  mas acima de tudo, de uma razão para se levantarem de manhã, pois muitos de seus netos precisam tanto de si quanto eles, os avós, precisam de ver e interagir a sua famílias, amigos e vizinhos. Não consigo ver nada de positivo neste tipo de separação, a não ser o aumento da proteção dos idosos com mais idade e com maior vulnerabilidade ​​em relação à transmissão do vírus – o que é muito importante – mas também o facto desse tipo de ausência forçada, acabar por fazer-nos valorizar o que é realmente importante. Há um ditado que se transformou numa canção do Blues americano: “Você não sente falta da água até que o poço seque.” O facto de avós e netos serem forçados a separarem-se, agora que uma segunda vaga da pandemia está a aproximar-se, o valor que se dá a estas relações entre gerações, é inegável.

Dito isso, seria importante trazer os jovens para onde estão os idosos, mesmo que, em última análise, deva haver uma separação ou barreira física entre eles até que uma vacina seja implementada. Sei que a Pedalar Sem Idade Lisboa encontrou uma forma de visitar e estar perto dos idosos que ficaram sozinhos e isolados em casa. E embora eu não seja uma grande fã de dispositivos móveis, num momento como este, as plataformas de chat em forma de vídeo podem ajudar idosos isolados a sentirem-se mais conectados e próximos dos seus amigos e entes queridos. Gostaria de ver este tipo de soluções a serem implementadas por Lares e Centros de Dia, onde seriam fornecidos iPads aos residentes, onde aprenderiam como usá-los para se conectar com suas famílias e amigos no Zoom, FaceTime, Skype, etc. – pelo menos até que o confinamento termine.

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